História de Sapucaí Mirim

Sapucaí-Mirim foi habitado por tribos indígenas, não sabendo ao certo a data que ocorreu o aparecimento e o desaparecimento desta raça. No entanto, tem-se conhecimento que existiram estes indígenas, devido a diversas provas descobertas, por utensílios utilizados exclusivamente por índios. Dentre as descobertas, citamos uma panela de barro, tipicamente indígena, descoberta pelo Senhor Miguel Luiz Moliterno em terrenos de sua propriedade em Sapucaí-Mirim. Não se pode precisar a qual tribo pertencia, mas supõem-se, segundo diversos estudiosos, que seja uma tribo da raça dos Guaianazes, pois existem provas que índios desta raça habitaram nas beiras da serra da Mantiqueira, e nas cidades vizinhas.

Posteriormente, assim como nas demais cidades da região, têm-se registrado como desbravador o sertanejo Gaspar Vaz da Cunha, "O Oyaguara", que no início do século XVIII, por ordem da coroa portuguesa percorreu a região a procura de ouro.

Porém as primeiras notícias de núcleos de população, iniciaram no século XIX, quando um grupo de bandeirantes partiu do Vale do Paraíba, abrindo trilhas pelas terras da Mantiqueira a procura de ouro, e durante este trajeto chegaram na região, e se alojaram em um local que denominaram de Guarda Velha. Logo que chegaram, já iniciaram as disputas com um outro grupo de pessoas que tomaram posse de terras vizinhas (hoje o município de Camanducaia). Mesmo com estas disputas os bandeirantes conseguiram se fixar, dando origem ao primeiro povoado que se denominou Santana do Paraíso, pois tinham como padroeira Sant'Ana.

No decorrer do tempo, devido às terras férteis, o ótimo clima, a pesca que era farta e variada no Rio Sapucaí-Mirim, reuniram-se neste local um aglomerado de pessoas. Com isso, foram realizadas doações pelos residentes, destaca-se o Senhor Ladislau Pereira de Carvalho, pois o mesmo no ano de 1871, dirigiu um requerimento a Câmara de São Paulo, na época era a autoridade superior e que dirigia o local na parte religiosa, manifestando o desejo de construir um patrimônio a Capela de Santana. O requerimento de Ladislau Pereira de Carvalho foi atendido, e com os patrimônios frutos de doações dos possantes e do próprio Ladislau, foi construída a Capela em homenagem a Padroeira Sant'ana, e após esta construção, o local ficou denominado de Santana do Sapucaí-Mirim, em homenagem à Padroeira e ao Rio Sapucaí-Mirim que margeava a capela, sendo que no ano de 1870, a capela de Sant'ana foi elevada a Distrito de Paz. Em 13 de outubro de 1877, através da Lei Provincial nº. 2325, este povoado passou a Distrito, com o nome de Santana do Sapucaí-Mirim pertencendo ao município de Paraisópolis - MG.

Com o crescente desenvolvimento do lugar, não tardou para os residentes apresentassem seus sentimentos de liberdade e emancipação político-administrativa. Com isso, logo no início do século XX, começou a batalha para a emancipação administrativa do local, entre os residentes batalhadores, podemos destacar: Candido Justino Pereira, Domingos Pereira Machado, Donato Vita, Manoel Rodrigues de Azevedo, Paulino José Tiburcio, Renato Gorgulho Nogueira, Rufino Teodoro da Cunha, Zeferino Brandino Pereira, dentre outros.

Durante esta batalha para emancipação política-administrativa, foi sancionada a Lei Estadual nº. 843, de 07 de setembro de 1923, que veio a alterar o nome deste e de outros 119 distritos mineiros, na ocasião o distrito de Santana do Sapucaí-Mirim passou para apenas Sapucaí-Mirim.

Posteriormente, já com o topônimo que temos até os dias atuais, foi sancionada a Lei Estadual nº. 115, de 03 de novembro de 1936, que aprovou o convênio que estipulou sobre os limites do Estado de Minas Gerais com o Estado de São Paulo, declarando ainda a linha divisória dos dois Estados. Mas foi o artigo 6º desta lei, que concretizou o sonho dos batalhadores e de toda a população da época, pois neste dispositivo, ficou desmembrado o Distrito de Sapucaí-Mirim do Município de Paraisópolis, para a conseqüente formação de um novo município, conforme o texto de lei que segue abaixo:

"Artigo 6º - Fica desmembrado do município de Paraisópolis o distrito de Sapucaí-Mirim, que passará a constituir município com a mesma sede e denominação, acrescido das zonas circunvizinhas às povoações de Santa Luzia e Juncal, desanexadas do município de Camanducaia."

E no dia 17 de dezembro de 1937 (data que comemoramos o aniversário de emancipação política), por meio da Lei nº. 15, o distrito de Sapucaí-Mirim foi desmembrado de Paraisópolis – MG, passando então a categoria de município. Participaram diretamente desta conquista o Sr. Benedito Quintino dos Santos, na época Diretor do Serviço Geográfico do Estado, além de João de Almeida Caldas, Lamartine José de Faria e Vitruvio Marcondes Pereira.

Finalmente, no dia 1º de janeiro de 1938 (data previamente fixada pela Lei nº 15, de 17 de dezembro de 1937) instalou-se solenemente o município de Sapucaí-Mirim. Rezam os documentos da referida época, que a instalação foi realizada com a máxima solenidade. Estiveram presentes, além dos fundadores do município, várias autoridades representando órgãos e outros municípios: Cap. Maximiano Ribeiro da Luz (São Bento do Sapucaí-SP), José Vieira de Souza (distrito de Gonçalves), Joubert Guimarães (Paraisópolis-MG), Lorival Fontes, representando o Dr. Orlando Murgel (Diretor da Estrada de Ferro de Campos do Jordão-SP) e Venceslau Milton (São Gonçalo do Sapucaí-MG). Na ocasião discursaram os senhores: Maximiano Ribeiro da Luz, o jovem acadêmico Milton Pereira, Venceslau Milton e Jorbert Guimarães. Em seguida discursou: Vitrúvio Marcondes Pereira, nomeado como primeiro Prefeito Municipal, e ainda Lamartine José de Faria, representando a Lavoura, Benedito Silva Barreto, representando o comércio, e João de Almeida Caldas, representando as autoridades do município.